Eterno desafio

Não é a toa que o nome do blog é O DESAFIO DE APRENDER. Não posso me deixar esquecer para que vim, nem para que criei o blog. Hoje me dei conta de que não são alguns dias que o Theo está “desobediente” e sim alguns dias que ele não faz arte (muita). Se eu analisar bem, sempre vai ter alguma coisinha ameaçando me  tirar do sério. Acordei com um dorzinha de cabeça de leve. Ontem dormi com 2 dorflex e 1 coristina pois o tempo mudou e minha sinusite está atacada. Ao acordar estava bem, mas uns minutinhos depois de levantar já percebi que ainda estava doendo. Por um segundo, quando precisei dar uma puxada de bronca nele logo pela manhã, achei que era o estresse que estava me dando dor de cabeça, aí percebi que na verdade era só minha doencinha crônica. O que me fez parar para pensar enquanto notava que não havia ligado a panela de arroz (quando todo o resto do almoço estava pronto)….

O Terrible Two só acontece se eu permitir. Como eu disse no último post, a responsabilidade é muito mais minha do que dele em se manter a ordem na casa e na rotina. Ele está mesmo em tempo de me testar e se testar. Theo nunca deu trabalho para comer, para entender ordens e regras simples. Não sou cheia de regras, mas coisas básicas eu ensino desde sempre. Jogar lixo no lixo, guardar os brinquedos após a brincadeira ou quando for parar para comer/tomar banho/sair/dormir, dizer obrigado/desculpa/licença/por favor. Modéstia a parte ele aprendeu muito bem essas regrinhas e até pode soar estranho dizer que ele “nunca deu trabalho” por ter apenas 2 anos. Quero dizer, qual é a referencia de tempo usada, né?! Nada é tão estável que possa ficar relaxada. Fases de mudança, baby.

Aconteceu de novo. Mais um dia que eu quase perdi o controle, eu falo e ele finge que não ouve, ou simplesmente responde com um sonoro “não” quando dou uma ordem, além dos atuais “perque?”. Hoje não deixei chegar no ponto de querer chorar. Na hora da panela desligada eu parei e ri. Liguei a panela e respirei fundo.

Em baixo da cama dele guardo muitas caixas. Caixa com sapatos, bolsas, lençois e material de artesanato.  Ele encontrou a caixa dos tubos pvc, cola, lixa, caneta permanente… 

O lanche da manhã foi descascado e a casca foi para a cama, e da cama para o chão… cade o lixo?

O tapete da sala virou colina para brincar de rampa com os carrinhos…

O quarto virou um campo minado de brinquedos…

O quarto inteiro mesmo. Até meus travesseiros entraram na lambança.
Tudo isso em menos de meia hora.
Nessas horas meu corpo até esquenta. Não ligo dele brincar e fazer bagunça, mas isso ia contra todas as regras básicas que eu venho aplicando. Depois de ligar a panela de arroz e respirar bem fundo fui no quarto e falei que ele precisava jogar a casca no lixo, que não podia entortar o tapete pq dá orelha (e a vovó ia ficar brava), que o desenho é para ser feito no papel e o quarto… Tudo bem, vamos bagunçar….

E ver no que vai dar.
A casca foi para o lixo quando falei com ele num tom mais amigável, pedi por favor e disse que não poderia brincar  ali com a casca no chão (risco de cair, se sujar, dar bichinho…). O tapete eu estiquei e o desenho do chão ainda está lá (não vou dar na mão dele um pano com álcool e mandar limpar. Ainda não).
Há situações que só se resolvem com a instalação do caos. E nem foi tão caos assim. Deixei ele gastar energia e até me chamou pra subir na cama dele. Aproveitei para ensinar mais sobre peso. Ele entendeu que eu não podia subir então ficou fazendo gracinha pra mim. Minha mesa de trabalho fica na cabeceira da cama dele. Em um momento jogou todos os meus papéis e cadernos no chão, na cama e foi uma loucura. Mas a loucura mais saudável da semana. Eu não briguei, não reprimi, só fiquei olhando e rindo. Brincamos de esconder em baixo do lençol. Ele brincou de “tombo” nos meus travesseiros que estavam no chão e jogou os bichinhos de pelúcia pra cima. Fiz muita cosquinha e aos poucos fomos colocando tudo de volta, afinal era hora de almoço (passada já). Juntamos os brinquedos da caixa juntos e apesar de não comer todo o almoço ele não quis jogar tudo pra cima durante nem depois de comer. Terminei de almoçar com calma, peguei a chupeta e sentei com ele no sofa. Dormiu em 2 segundos.
Escrevendo aqui agora, revendo as fotos para postar esta passando tudo na minha cabeça como um filme. Tudo vai de como a gente vê as coisas. E a gente vê como quer ver. Eu não quero reprimir meu filho.
quero que ele descubra o universo ao seu redor, quero que ele se descubra, que me descubra e me ajude a conhecer mais de mim também. Ele me ensina a conhecer até onde posso ir e o que realmente importa.
Estou me livrando da pressão externa aos poucos. Não importa como as pessoas querem ver, eu sei que ele está vivendo.
Beijo²
Nina e Theo

0 Replies to “Eterno desafio”

  1. Amiga……… tive que rir de ver ele embaixo do colchão… quarto revirado, brinquedos por toda a parte, na minha casa tb é assim.
    Concordo com vc em não querer reprimir, mas os meninos são muito arteiros e sim respondões e desobedientes, tem horas q saio do sério, mas, sempre é pra chamar nossa atenção, pra estar perto, pra querer fazer uma atividade… enfim, eles não entendem que nós temos muito afazeres, e muitas vezes nós tb não entendemos que eles só querem brincar um pouquinho com a mamãe, não importa o momento que for
    Aqui tb ensino jogar lixo no lixo e guardar os brinquedos, mas esses parecem dar cria… e surgem por toda parte, bjss

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