A nostalgia da amamentação

Como é que a gente fica no pós desmame?

Mamazinho de entardecer na praia aos 4 meses

Hoje eu tenho meu corpo só para mim de novo (até a hora de entrar no banheiro ou sentar para comer alguma coisa no sofá, fato). “Posso sair” sem os filhos, se precisar (e tiver coragem de deixa-los por um segundo) e até dormir fora sem me preocupar se vai ter criança chorando por falta do mamá. Qualquer saída, aliás, não me trará mais preocupação a respeito do mamá. Nada mais de escolher roupa avaliando se tem jeito de colocar o peito pra fora. Nada mais de pagar peitinho (não que eu me incomodasse em atender) em todo lugar que meu filho sentir sede, fome, sono, carência ou qualquer outro sentimento que o levasse a querer peito.

Ufa. Volto a ser mulher. Estou aliviada. Posso descansar a noite toda mesmo sem dormir fora. O filhote não vai mais puxar minha roupa de madrugada e já pode até deixar a cama compartilhada para finalmente dormir no seu quartinho. Será mesmo?

É a segunda vez que passo por isso. O primeiro desmame foi feito pelo Theo. Ele mesmo desmamou. Ele decidiu um dia e pronto. Acabou mamá. Aos 1 ano e 8 meses. Jamais esquecerei como foi sofrido… para mim. Não estava nem um pouco preparada para aquilo. Primeiro filho. Eu nem pensava em desamame, em como faria ou quando. Estava vivendo tranquila e alegremente a vida de lactente. Foi tão difícil que meu leite levou um ano para secar.

Samuel está perto dos 2 anos, e também já não mama mais. Dessa vez vi as coisas por outro olhar. Aos 1 ano e 3 meses aproximadamente, eu não suportava mais as noites exaustivas com o Samuel. Um pouco antes ele estava mamando cerca de 4x ao dia. Já se alimentava bem e eu oferecia o peito quando ele pedia apenas. Mas aos 15 meses uma chave virou dentro dele. E depois de um dodói (eles sempre mamam mais quando estão dodóis), ele não desapegou mais do peito. Queria peito A TODO MOMENTO mesmo. Nossa… já li relatos assim infinitas vezes. E por vezes até julguei (quem nunca?). Eu sei que são fases que as crianças passam, sim. Mas naquele momento eu estava decidida: queria desmamar.

 

O desmame com o Samuel não foi fácil. Para mim e para ele. Pensei em desistir inúmeras vezes, repensei se estávamos preparados para aquilo. E no fim, acredito que nunca estaremos prontos de verdade. Foram muitas semanas de adaptação, (farei um post somente sobre o processo se vocês quiserem) até que conseguimos. Não sei dizer o dia exato, mas aconteceu. Ele parou de pedir. Eu parei de sentir o peito doer de empedrar e começava a secar. Meu peito secou muito depressa dessa vez. E não houveram traumas. Até agora. quase 6 meses após o desmame, quando eu comecei a ter crises de saudade. Tenho sentido falta daquele acalento. Tenho sentido uma dolorosa saudade dele grudadinho em mim. Cheguei a devanear que deveria tê-lo deixado mamar por mais 3 anos.

 

Mas novamente. Nunca estaremos prontos para certas mudanças. A verdade é que eu acho que ficaria com eles na barriga pra sempre. Para que nunca fossem embora de perto de mim. Sim, sou uma mãe grude e não nego. Sem o menor pudor de dizer.

Sinto uma nostalgia desse momento do mamá que me enche de alegria, amor, pureza e ao mesmo tempo de uma dorzinha de saudade. Entendo que aquilo precisava acontecer e sim, era o momento. Samuel evoluiu em muitos sentidos apos o desmame. Ganhou desenvoltura. Passou até a se comunicar melhor com o seu universo. Dormiu melhor. De certa forma o ajudou a entender que ele e eu somos pessoas independentes e não uma extensão um do outro (ah filho, eu queria que fosse a segunda opção também). Sobre sua alimentação…nossa. Não há o que falar. Esse menino manda ver no garfo. Hoje, posso até coloca-lo na posição deitadinho no colo e dizer “vamos mamar então” que nem de longe ele cogita a ideia. Ele ri, brinca mas poe a língua pra fora e sai do colo. Meu caçula cresceu.

 

Minha experiencia com a maternidade foi muito diferente na gestação, parto e amamentação entre os meninos. No início da amamentação do Samuel eu não sentia o mesmo prazer que me dava amamentar o Theo nas primeiras semanas. Também encarei de forma mais leve as dores dos primeiros calos, rachaduras e cicatrização. Mas o meio disso tudo também foi diferente. O meu ápice da amamentação com o Samuel veio em tempos diferentes. E o fim foi o mesmo. Eu sofri com o desame. Não leia meu sofrimento como algo ruim. É um sofrimento diferente. É uma sensação de nostalgia diferente. São momentos de intimidade entre mãe e filho que a amamentação proporciona e não há nada que se iguale. Por isso é tão especial.

Agora, teremos novos momentos e novas memórias para criar. Que venham as etapas seguintes.

 

 

10 Replies to “A nostalgia da amamentação”

  1. Eu não sou mãe, mas imagino como deve ser dolorida essa fase do desmame, ao mesmo tempo que deve dar uma boa sensação.
    Deve-se estar preparada para todos os momentos, né? Por mais que isso doa. Acho que consigo entender um pouquinho do seu sentimento.
    Mas agora boa aproveitar essa nova fase. Essa fase que ele está crescendo e acredito que deve ser uma das melhores fases, onde já começam a falar, andar, correr e brincar muito e precisam ainda mais de atenção, pois já começam a entender as coisas.

    Beijos, Mi
    http://www.triicotando.com

  2. Que delícia ler esse post. Aumenta ainda mais a vontade de ver o rostinho do meu babyboy que logo estará aqui. Mas, ao mesmo tempo dá pra sentir em cada palavra que vc escreve a vontade de reviver o passado de certa forma… Oro a Deus pra que minha adaptação a essa nova vida deixe saudades também, pq esse vínculo não é fácil, mas, acho lindo!

  3. Infelizmente eu não consegui amamentar a Melissa. Apesar de várias tentativas e recursos utilizados para que a amamentação fosse um sucesso por aqui, não rolou.
    Consegui arduamente tirar leite com bomba manual até o instante que o leite secou de vez.
    Me culpei horrores durante um longo tempo. Então ao ler o teu relato sinto que ficou uma lacuna a ser preenchida com esta sensação não experimentada totalmente, mesmo que a plenitude do vínculo tenha surgido via mamadeira. Amamentar é lindo, completo, transforma.

  4. Que post mais lindo Mari, parabéns por ter a coragem de falar sobre esse assunto tão abertamente. Desde sempre sonhei em ser mãe, sentir uma vida crescendo dentro de mim, ainda não sei o que é esse amor, mas sei que será enorme e diferente de tudo que já senti, acredito que serei uma mãe super grudenta tbm kk Amei sua história, beijooos

  5. nossa não sou mãe ainda , mas ja é bom ir aprendendo esses tipos de coisas que irei passar , parabéns pelo post !! beijos

  6. Fala sobre o desmame sim! Minha bebê mama o dia todo e eu tô exausta, mas com muita dó de tirar do peito. Depois que viramos mãe tudo é difícil, né?
    Me identifico muito com seus posts. :*

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