A paternidade na maternidade

Somos uma sociedade patriarcal. Ainda que o feminismo esteja a porta, ainda somos uma sociedade patriarcal. Isso influencia muitas famílias sobre o formato e a dinâmica da casa e do cuidado dos filhos.

À mulher cabe a educação, carinho e afeto. Ao homem, a ordem, o castigo e obediência. Atire a primeira pedra a mãe que nunca falou “Se não obedecer vou chamar seu pai”. Ou “olha que eu vou contar pro papai”.

Desde muito tempo, a figura do pai é uma figura amedrontadora. Uma figura de autoridade mas nem sempre de respeito.
Hoje venho trazer uma visão mais ampla sobre a participação do pai na criação das crianças.

A paternidade é muito extrema. Quando o positivo aparece a mulher já é mãe, mas o homem só se sente um pai completo ao primeiro choro do bebê. O homem não pode sentir os movimentos, o homem não tem desejos (não hormonais), o homem não enjoa. O homem não ganha uns kilos (justificados por um bebe dentro dele), não ganha estrias, não fica inchado por retenção de líquido. O pai nunca será uma mãe. Eles sofrem de toda essa falta de experiência durante os 9 meses de gestação. E se prolonga aos primeiros meses de vida (no mínimo).

Quando nasce o bebe eles começam a aprender com aquela nova vida. Muitos não se posicionam de primeiro momento. Alguns fogem dessa experiência esplendorosa. Pobres almas falhas. Vamos falar sobre aqueles que estão presentes. Assumir o papel de pai pode ser doloroso.

Voltando a posição da nossa sociedade patriarcal, ser pai é ser provedor. O pai ensina os passos que uma mãe jamais irá ensinar. Ainda que uma mãe solo seja forte, em algum momento ela pode fraquejar. Um pai ensina valores únicos e transmite conhecimento de experiências que a mãe não possui.

A figura paterna, seja ela representada por um pai biológico, por um pai de coração, por um avô, padrinho… representa um pilar.

Não sei você, mas eu tomo a frente em muitas decisões da casa e dos meninos, por acreditar que tenho a melhor opção para aquele assunto. Chego a nem oferecer escolha pro Jorge. Isso não é ser feminista, não é ser igualitária. Isso é parte do patriarcado, eu sei. E patriarcado não é o contrario de feminismo.

“Seu marido ajuda” em casa/com os filhos?” Antes de responder, se pergunte se você oferece essa escolha. Ele não deve ajudar, ele deve ser parte.

Atualmente, muito se fala sobre mulheres fortes, independentes, dispostas. Mas uma mãe não precisa se fechar para ser tudo isso. Na maternidade, muito se ouve “meu marido me ajuda (ou não)”. E muito se discute sobre a participação do pai na maternidade. Mas pouco se fala sobre o espaço dado ao pai. Cobramos colaboração, mas nem sempre damos abertura para o posicionamento do pai. “Quem carregou 9 meses?”. A mulher é sempre figura dominante na primeira infância do filho. E o pai demora muito a ter espaço para aprender a ser pai. Nos também erramos, aprendemos com as falhas. Não queremos ser julgadas ou avaliadas como mãe. Não gostamos de ouvir “pitaco” sequer sugestão. Permitir que um pai tome decisões e cuide do bebe é dar a ele ferramentas para que seja parte da maternidade. Mesmo que ele erre.

5 Replies to “A paternidade na maternidade”

  1. Concordo!
    Apesar de eu não ser mãe ainda, percebo que isso realmente acontece. As mães precisam deixar os pais a fazerem mais coisas, mesmo que eles errem. Se erraram, vão aprender com o tempo. Do mesmo jeito que é tudo novo para a mãe, é ainda mais para os pai.
    Confesso que tenho um medo danado de não saber cuidar direito do/ meu/minha filho/a. Sou estabanada, hahaha, e por essas e outras, quero muito que meu marido FAÇA PARTE da paternidade e nao apenas “ajudar”.

    Gostei da reflexão.

    Beijos, Mi

  2. Muitas vezes os pais até querem ser mais ativos na educação dos filhos, mas as mães sempre acham que eles não vão fazer nada certo… mas temos que deixar os pais serem pais e ensinar aos filhos a importância dos pais.. os pais são sempre a figura que traz a segurança e a proteção da familia como um todo. bjs

  3. É verdade, muitas vezes a gente prefere tomar a frente das coisas relacionadas a criança por receio que o pai não faça direito (pq pra nós o nosso jeito é o único jeito certo), daí qdo o cara fica na dele a gente fica brava. Temos que aprender a confiar no instinto do homem em proteger sua prole.
    Amei o post 🙂

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