Quando assisti 13 Reasons Why | Reflexão e Sentimentos

Felizmente não conheci quem tenha cometido suicídio. Mas
conheço quem já tenha sofrido abuso de todos os níveis, estupro. Conheço muitas
pessoas que já sofreram assédio. Mulheres, crianças, héteros e gays. Eu já
sofri. Você já sofreu. A clareza dos fatos está cada dia mais nítida. O
inocente e despretensioso “fiu fiu” na rua é assédio, sim. É simples. É
discreto. Mas é ofensivo. É invasivo.
Nem todo mundo quer ser uma vitrine. Nem todo mundo pediu
para ser notado. Pelo menos não pediu para ser notado daquela forma. Essa falta
de respeito começa pequena e se torna assassina.
Hoje vamos  falar
sobre quando eu assisti 13 reasons why. Sobre assédio, bulling, desrespeito,
estupro, suicídio.
Na nossa época não tinha nome, mas já existia. Muitos de nós
passaram por isso e superaram. Muitos também, fingem que superaram. E outros
podem nem estar aqui para contar.
Antes de assistir essa série eu pensei… pra que? Já está
aí na mídia mesmo o tempo todo. Bulling é a palavra do momento. Todo mundo
sofreu e de alguma forma vai sempre gerar o famoso ‘mimimi’. Quando comecei a
assistir, pensei “mas que série chata, mal amarrada. Cheia de cena pra encher
linguiça, tanto suspense vazio”…
Não vou falar do miolo para tentar não dar spoiler.
Foi nos dois últimos episódios que me dei conta que era como
se EU estivesse ouvindo as fitas. A trama foi se construindo na minha cabeça e
quando você nota já está envolvido com as personagens. Tive raiva por muitos
fatos mostrados, mas achei que outros eram pequenos… Precisou ter cena de
abuso sexual para eu me dar conta do nível que as coisas podem chegar. As cenas
do suicídio eu não achei forte por ter noção de ser uma representação. Acho até
que as cenas não chegam a ser ofensivas (falando em questão de fotografia), mas
o contexto todo. A emoção que o assunto e o contexto nos leva a sentir com o
decorrer dos fatos é o mais intrigante.
Cada adolescente, e oh fase… Cada personagem apresenta a
sua verdade. E a frase que prevalece é “a gente nunca sabe o que está
acontecendo na vida do outro”. Esse mundo, bem se sabe, esta precisando cada
vez mais de amor. Amor ao próximo e muito menos julgamento da dor do outro.
Uma vítima de abuso se sente culpada. Sente que não pode
compartilhar a sua dor pois será julgada ou incentivada a seguir em frente e
buscar o esquecimento. Mais do que cuidar dos nossos filhos e incentivá-los a
não serem quem pratica o bulling, precisamos faze-los fortes. Fortes e
confiantes de si. Para que não se permitam essa omissão.
Não, a culpa nunca será da vitima. Precisamos criar e moldar
nossos filhos para não serem os agressores, mas se assim for, eles acabarão
sendo os agredidos em algum tempo. E não precisa ser nenhuma das opções.
Os dois últimos episódios da temporada deixaram algumas
pontas soltas, e muito a se pensar. Talvez para uma segunda temporada? Muito a
sentir. Ainda estou digerindo a verdade que esse seriado me trouxe. E espero
não terminar de digerir jamais. Para que eu não perca essa sensibilidade.
Me peguei em vários momentos desejando que fosse mentira.
Que a personagem principal não estivesse morta de fato. E a sensação de
impotência só aumentava quando se davam os fatos e provas de que ela já estava mesmo
morta. Você pensa nos seus filhos, irmãos, amigos, primos… pensa em todos que
já viu triste e se sente mal por não ter dado atenção a quem quer que seja em
algum momento da vida que estava “com pressa ou sem tempo” para isso.
A sensação de impotência.
Nos mostra como a idéia das pessoas é distorcida em relação
ao que se quer. Me fez pensar na luta das feministas. Mas essa não é uma luta
só do feminismo. É questão de humanidade.
Eu não saberia como fechar este assunto. Não imaginei que
traria para o canal algum assunto polemico. Mas vejo esse vídeo como um
desabafo. Como um mural de socorro. Meu coração está apertado novamente.
Enquanto faço essa pauta o nó na garganta amarra cada fez mais forte. Nosso
corpo não significa nada. Nosso corpo é só uma embalagem. Um pacote.
Vamos valorizar a vida. Preservar as relações saudáveis e
sinceras. Cultivar o amor. Espalhar caridade. Olhar mais para o próximo. Se
colocar na pele ainda que seja impossível saber o que passa na vida de outra
pessoa. Vamos ensinar respeito pelo exemplo. Começa com respeitar a nós mesmos.

 

Se você chegou aqui por estar se sentindo destruído. Se você
chegou nesse vídeo por estar na situação da Hannah, eu te peço: olhe para trás.
Reveja tudo. Novamente. Espere mais um dia. E amanha tente retomar suas forças
de novo. Procure ajuda. Procure com mais alguém. Procure até encontrar. Não
desista. Não desista da vida. Nenhuma outra pessoa é mais importante do que
você para merecer que você deixe de existir. Escolha viver!

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